História do Clube

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Fundação e pioneirismo

 

Artêmio Valente, fundador e idealizador do clube.

Fundado em 13 de Maio de 1899 foi o terceiro clube brasileiro em atividade a praticar o futebol.  O Vitória nasceu da iniciativa pioneira dos irmãos Artur e Artêmio Valente. ]Vindos de uma tradicional família baiana, adquiriram o gosto pelo Cricket na Inglaterra, onde estudavam. Ao retornar ao Brasil, trouxeram na bagagem a paixão pelo esporte.

Na época, o Cricket dominava a preferência dos baianos, mas o esporte era restrito aos imigrantes ingleses, restando aos brasileiros o podre "privilégio" de repor as bolas em campo, quase o mesmo dever que os gandulas de hoje exercem.

Cansados dessa discriminação, dezenove jovens tiveram a ideia de criar uma agremiação que os livrariam desse fardo e não mais os privariam de praticar o esporte. Então, no dia13 de maio, uma reunião foi marcada para a casa dos irmãos Valente, e teria ainda participação dos amigos todos moradores do Corredor da Victória.

A reunião começou com muitas dúvidas sobre qual nome teria o clube que rivalizaria com os ingleses. Com esse objetivo em mente, muitas sugestões patrióticas foram dadas, como Club de Cricket Bahiano ou Club de Cricket Brasileiro. Porém, a idéia de homenagear o lugar onde todos moravam, com Victória, de Arthêmio foi escolhida.

Tão grande era o desejo nacionalista de se impor aos imigrantes da Inglaterra que as cores inicialmente escolhidas foram o verde e o amarelo. Porém, o preto e branco foi logo incorporado pela falta de material esportivo com as cores da bandeira do Brasil. O rubro-negro tradicional apenas foi adotado um tempo depois.

No Cricket, o Victória vinha fazendo sucesso, mas com a volta de José Ferreira Júnior, o Zuza Ferreira, que passou alguns anos estudando em terras inglesas, à Bahia, o cenário local mudou. Zuza trouxe com ele um esporte diferente, que logo viraria febre entre os jovens baianos e brasileiros, o futebol.

 

 Leão da Barra

Em1902, já praticando outros esportes como futebol, remo, natação, atletismo e o próprio cricket, que levava no nome, o Club de Cricket Victoria se transformou em Sport Club Victoria. Na mesma época da mudança, o clube recebeu o apelido que leva até hoje.

Naquele primeiro ano de prática do remo, o Vitória, que dispunha dos barcos Tupy e Tabajara, conseguiu um feito inesquecível. Seus remadores saíram do Porto da Barra e foram até o Porto dos Tainheiros, em Itapagipe. O fato, que teve grande repercussão na época, originou o apelido de Leões da Barra para os atletas, e mais tarde para os próprios torcedores rubro-negros. "

Relatam Alexandro Ramos e Luciano Souza no livro Barradão - Alegria, Emoção e Vitória.

 

 

 

Começando no futebol

No futebol, o Victoria disputou sua primeira partida no dia 22 de maio de 1901, contra um time formado às pressas por integrantes das tripulações dos navios ingleses atracados no porto. A partida teve como resultado um triunfante 3 a 2 para o time local.

A estréia do time principal do Vitória foi em 13 de setembro de1903, ano da inauguração de seu departamento de futebol. Numa partida muito disputada, marcando também a inauguração do Campo dos Mártires, chamado atualmente de Campo da Pólvora, o Leão derrotou o São Paulo Bahia Football Clube, time formado por integrantes da Colônia paulista, por 2 a 0. Em1904, muitos outros times já tinham sido fundados na  Bahia e o futebol não era um esporte tão desconhecido para o público. Grandes platéias se formavam para assistir aos jogos, ao som de bandas de música e fanfarras. Nesse ano, foi um dos fundadores da primeira Liga de Futebol da Bahia, chamada de Liga Bahiana de Desportos Terrestres, que iria organizar o primeiro Campeonato Baiano de Futebol, no ano seguinte. O Club International de Cricket levou a taça, enquanto o Vitória conquistou o terceiro lugar.

Durante essa época, cheia de novidades para os jovens que experimentavam o novo esporte, o remo, já tradicional, despontava como atividade principal do Vitória. O Vitória também revelou talentos no atletismo, pólo aquático (esporte em que ficou dois anos invicto), natação e até mesmo xadrez. O pioneirismo do clube o levou até a fundar a Federação Bahiana de Pugilismo.

 

Primeiros títulos, amadorismo e o jejum

 

 

Elenco do Victoria campeão baiano de 1908.

O Vitória iniciou sua jornada de conquistas no futebol, após ter sido vicecampeão nas duas edições anteriores, em1908, quando se tornou, pela primeira vez, campeão baiano num campeonato disputado apenas por três clubes pela primeira vez, devido a saída doBahiano , que dissolveu-se. O bicampeonato veio no ano seguinte.

Depois de ser vice-campeão por mais duas ocasiões, em 1911 2 1912 a liga foi abolida por prováveis divergências internas. Assim, outra liga tomou parte do campeonato em1913, dessa vez admitindo jogadores e clubes de classes inferiores e, principalmente, negros, o que não agradou os clubes da "velha guarda". O Vitória e os outros times que faziam parte da organização dos campeonatos até então não concordaram com o novo estilo e abandonaram a liga, abrindo espaço para outros clubes se inscreverem. Assim, de 1913 a 19191, o rubro-negro não participou do certame, deixando que outros times se consolidassem no estado e tomassem conta dos títulos baianos, fazendo com que, no seu retorno, em 1920, o Leão não obtivesse o mesmo êxito com suas equipes. 

 

 

Partida entre Victoria e Santos Dumont pelo Baiano de 1907.

O Vitória ficou de fora ainda das edições de1930,1931 e 1937, devido ao seu problema com o amadorismo. Nas décadas de1930 e 1940, os jogadores eram, em sua maioria, universitários, que deixavam o time assim que se formavam. Quando não, o Vitória perdia os jogadores para outros times que ofereciam altos salários, times já profissionais.

Apesar desses problemas, o rubro-negro conseguiu se sagrar hexacampeão do Torneio Início, em1926, 1941, 1942, 1943, 1944 e 1949, torneio de grande credibilidade na época e que não deixou o time da Barra ser esquecido pelos torcedores.

 

Profissionalização e títulos

No começo da década de 1950, o Vitória ainda não tinha se profissionalizado totalmente, já tinha deixado de disputar diversos campeonatos e, assim, não conseguido títulos por um bom tempo. Esse "problema" foi resolvido em 1953, numa partida emocionante contra o Botafogo. 

 

O resultado se repetiu em 1955 e 1957 desta vez contra o eterno rival nas duas ocasiões.

 

 Bicampeonato boicotado pela imprensa

Após conquistar o primeiro turno do Baiano de 64, um jornalista divulgou no seu jornal que o time rubro-negro vinha escalando um jogador irregular na conquista da primeira parte do certame. Tal jornalista, alguns dias depois, foi agredido num ônibus e Ney Ferreira, presidente do Vitória, e seu diretor de esportes, Henrique Cardoso foram acusados do ato. Essas acusações serviram para que a imprensa boicotasse qualquer notícia dos dois campeonatos que o time da Barra veio a conquistar.

O professor Paulo Leandro, no seu trabalho "O jornalista e o Cartola", lembrando do Esporte Jornal, único meio de comunicação que continuou a noticiar sobre o Vitória, relatou o fato que até hoje é lembrado pelos torcedores:

"Nenhum veículo impresso, exceto o Esporte Jornal, noticiou o título do Vitória, em um fato raro no mundo, em se tratando de uma grande clube, capaz de mobilizar multidões e gerar um mercado rentável." destacou o professor

 

 

Baiano de 1972

O rival tricolor do Vitória dominava o cenário estadual nas décadas de 30 e 40. Ao rubro-negro, restava tentar acabar com essa hegemonia a cada ano que passava. Na década de 60, já havia conseguido um histórico bicampeonato, mas, na década seguinte, apenas em um ano algum time conseguiu fazer com que o título não fosse para o rival. E foi em1972, quando o rubro-negro contava com um ataque devastador: Osni, André Catimba e Mário Sérgio. 

O elenco daquela conquista é lembrado como um dos melhores de todos os tempos já formado pelo Leão. O primeiro turno foi conquistado pelo rival, depois de derrotar o Vitória, invicto até então. No segundo turno, a decisão foi mais uma vez num baVI, com o Vitória mais uma vez invicto e, dessa vez, se saindo vencedor. O terceiro turno foi decidido nos pênaltis com o tricolor se sagrando vencedor.

Assim, a final do campeonato seria decidida em mais um clássico, a décima decisão do certame estadual com umbaVI. Com dois gols de Osni e um de Catimba, o Vitória venceu por 3 a 1 o segundo jogo, depois de ter triunfado por 2 a 1 no primeiro, e se sagrou campeão baiano pela oitava vez na história.

Com o seu rival dominando o cenário estadual durante décadas, o Vitória apenas conseguiu ser campeão baiano em 1980, 1985 e 1989.

 

 Surgimento do "Nêgo"

O grito mais famoso dos torcedores do Vitória, o "Nêgo", foi incorporado depois de um erro da torcida, fato acontecido em 1981, num jogo contra o Grêmio, contando pelo Brasileiro. Depois de começar o segundo tempo perdendo por 1 a 0, a Vitoraça, torcida organizada do time, procurou motivar os jogadores com seus gritos. Um deles, o "Leeeeãããão", que seria usado pela primeira vez, acabou pegando, mas de outra forma. O resto do estádio ouviu errado e acabou gritando "Nêêêêgoooo", e hoje o grito é o mais usado nos jogos do rubro-negro.

 

 Independência e hegemonia estadual

A década de 90 foi certamente uma reviravolta na história do Vitória. Uma nova diretoria havia tomado controle do time alguns anos antes com promessas de torná-lo um clube de ponta do Brasil. A primeira conquista foi a independência financeira, já que o clube ainda vivia de doações e favores de seus torcedores ilustres. A gestão se caracterizou pelo alto investimento (ainda que baixo para os padrões do futebol brasileiro na época) nas categorias de base, o que deu resultado: com seis conquistas do Baiano (1990, 1992, 1995, 1996, 1997 e 1999) contra quatro do rival, o Vitória consolidou a hegemonia estadual e diminuiu a larga vantagem do arquirrival em títulos estaduais e confrontos diretos do clássico baVI, o maior clássico do Nordeste e um dos maiores doBrasil..

 

 Vice-campeonato brasileiro

A década começou promissora, com o terceiro bicampeonato da história do rubro-negro, em 1989-90.  Três anos depois, no seu retorno à Série A, o Vitória montou um elenco modesto, dando prioridade à sua divisão de base, que viria a ser sua principal arma para o futuro. Nomes comoDida, Alex Alvez, Rodrigo e Paulo Isidoro foram incorporados ao elenco principal naquele mesmo ano, e foram peças fundamentais para a campanha do Leão no certame.

Depois de eliminar times como Flamengo, Santos e Corinthians, o Vitória chegou à final contra o milionário Palmeiras. A diferença entre os dois clubes era gritante. Para se ter uma ideia, a folha salarial inteira do time baiano correspondia apenas ao salário de Edmundo, atacante do time paulista. O Palmeiras acabou vencendo os dois jogos da final, levando o título e deixando o vice-campeonato para o rubro-negro.

 

 

 

Tricampeonato baiano e Nordestão

Só em 1997 o Vitória voltaria a fazer uma campanha satisfatória noBrasileiro, ano em que terminou em 9° lugar, a 1 ponto da classificação à fase final. 1997 também foi o ano do primeiro Tricampeonato Baiano e da sua primeiraCopa do Nordeste, certame no qual obteve 5 triunfos, 2 empates e apenas 1 derrota, feitos conseguidos depois de bater o arquirrival nas finais de ambos campeonatos.

Na campanha do tricampeonato, o Leão teve 17 vitórias, 3 empates e 2 derrotas. Somando-se os números das campanhas anteriores, 1995 e 1997, tem-se 93 jogos, 62 vitórias, 20 empates e 11 derrotas.

 

 Centenário

O tetracampeonato não veio em1998, mas em1999, ano do centenário do rubro-negro baiano, outra "dobradinha" veio e mais uma ótima campanha no Brasileirão, quando ficou na 3ª colocação, sendo eliminado pelo Atlético MG, nas semifinais. Depois de terminar a fase de classificação na 6ª posição, o Vitória, comandado por Cerezo, enfrentou, nas quartas-de-final, oVasco, fazendo, logo no primeiro jogo, uma partida memorável, que é muitas vezes denominada o melhor jogo do time na Era Barradão, tendo vencido por 5 a 4. Empatou os outros dois jogos e avançou às semifinais, onde enfrentaria o Atlético-MG. Depois de vencer um e perder outro jogo, sucumbiu na terceira partida e deu adeus à competição.

A Copa do Nordeste desse ano veio novamente numa final contra o rival, em dois jogos, tendo o rubro-negro vencido o primeiro jogo por 2 a 0 e o rival o segundo por 1 a 0.

 

 Domínio total estadual, Série C e retorno

 Começo de década promissor

A década de 2000 começou da mesma forma da anterior, com outro bicampeonato estadual e mais planos de manter a hegemonia que, pela primeira vez depois de 80 anos, voltara do rubro-negro.

O ano de 2001 foi o único da década em que o Vitória não comemorou alguma conquista. Em todos os outros, o título estadual ou uma promoção foi motivo de orgulho para os torcedores, como aconteceu nos dois anos seguintes, quando venceu os Campeonatos Baianos de2002 e 2003, além do Nordestão de 2003..

 

 Tetracampeonato baiano

As promessas de retornar o time baiano à elite no ano seguinte da diretoria foram ajudadas pelo bicampeonato da Taça Estado e o inédito e histórico tetracampeonato Baiano em 2005, de forma invicta, com 9 vitórias e 5 empates em 14 jogos, consolidando de uma vez por todas o domínio rubro-negro no estado.

Os números totais dos quatro campeonatos que conquistou são ainda mais expressivos. Em 54 jogos, o Vitória triunfou 35 vezes, empatou 13 e perdeu apenas 6 partidas, dando um aproveitamento total de mais de 72% ao time da Barra.

 

Retorno à Série A

Em2006, o Vitória ainda sentia a tragédia e perdeu o Campeonato Baiano para o modesto e organizado Colo Colo, quebrando um tabu de quase 40 anos sem que um clube do interior conquistasse o campeonato. Mas a volta por cima ainda estava por vir. Depois de ter conquistado o tricampeonato da Taça Estado, o Vitória, com um elenco formado basicamente por apostas e revelações, conseguiu fazer uma campanha não tão brilhante, mas melhor do que todos esperavam, se tornando vice-campeão daquele ano e ascendendo à Série B.

No ano de 2007, as promessas eram mais difíceis e a expectativa era de muita competitividade na tão disputada Série B daquele ano. Mas o clube conseguiu manter uma regularidade quase nunca vista na sua história, permanecendo nas primeiras posições do campeonato o ano inteiro e voltando à elite do futebol brasileiro. Até hoje, apenas o Vitória conseguiu esse feito (ser rebaixado para a Série C e voltar à Série A dentro de campo, sem precisar de viradas de mesa, como era comum no futebol brasileiro, e permanecer na elite).[

 

 Consistência na elite e Copa Sul-Americana

Em 2008, o time começou mal o Campeonato Baiano, terminando a primeira fase na terceira colocação. Mas graças a gratas surpresas no fim do certame, o Vitória conquistou mais um bicampeonato baiano. Mas todos só tinham em mente o retorno do Leão à Série A, depois de três anos fora. A imprensa e público ficaram bastante surpresos com a campanha do rubro-negro. O time acabou terminando o primeiro turno em quinto lugar, a uma posição de uma vaga na Libertadores.  No segundo turno, devido à saída de jogadores chave no esquema do time e a desentendimentos entre jogadores e comissão técnica, o clube acabou perdendo a chance de brigar pelo torneiro continental, terminando o campeonato na décima colocação, garantindo vaga na Copa Sul-Americana.

O tricampeonato estadual veio em 2009  junto com a primeira participação na Copa Sul-Americana e o segundo ano de Série A após o inferno da Série C.

 

Bi-tetra baiano, vice da Copa do Brasil e tetra do Nordestão

Em 2010, com uma campanha superior ás do rival, sagrou-se, pela segunda vez, tetracampeão baiano. Com o segundo tetra consecutivo, foi, ao lado do Fortaleza, o campeão estadual da década, como o maior vencedor brasileiro de campeonatos estaduais, com oito títulos.

Na Copa do Brasil, o time baiano conseguiu chegar pela primeira vez à final da competição, decidindo o título contra o Santos, time mais badalado do país (história que o clube vivera dezessete anos antes, em 1993). Após perder por 2 a 0 na Vila Belmiro e vencer por 2 a 1 no Barradão, acabou com o vice-campeonato.

Na volta do Nordestão, que não era realizado desde 2003, o clube conseguiu conquistar o seu quarto título regional, jogando com o time "B", ao derrotar o ABC na final por 2 a 1.

 

 

“...Vitória, Vitória, tu tens grande História...!”