Hipocrisia de uma sociedade violenta.

E-mail Imprimir PDF

Há muito tempo que vivemos números de guerra quando o assunto é violência e segurança pública no Brasil. Um País que não trata a EDUCAÇÃO, pilar primordial para construção de uma sociedade, com o devido cuidado que deveria ter.

O ensino fundamental e básico no Brasil é carente de boas escolas e o ensino médio é algo sofrível com professores desvalorizados, mal pagos, desestimulados e alunos desinteressados e violentos refletindo a estrutura familiar destruída.

 

Não vamos estender a outros aspectos como falta de políticas públicas de lazer e esporte, desigualdade social, ausência do poder público, entre outros, pois todos têm a plena convicção que vivemos em uma sociedade extremamente violenta e já conhecemos alguns dos fatores.

 

Vocês devem estar se perguntando onde queremos chegar?! Respondo que queremos demonstrar para aqueles desavisados, maldosos, hipócritas ou ignorantes, que essa é a triste realidade de nosso País e que não queremos minimizar ou omitir os nossos problemas, mas deixar claro que a violência está intrínseca em cada camada da sociedade, independente de sexo, profissão, idade ou grau de instrução.

 

Pois é, não foi a Torcida Organizada que inventou a violência, mas quando um marginal vestido de Organizada comete um crime, logo aparecem os paladinos da moralidade para pedirem o fim das Torcidas, apontam os dedos e dizem: SÃO TODOS VAGABUNDOS. E simplesmente não vemos isso, principalmente dessa imprensa suja e manipuladora, quando um policial comete um crime, um padre ou pastor abusam sexualmente uma criança, quando uma briga generalizada deixa mortos e feridos no carnaval. Ou alguém aqui já viu sociedade e/ou imprensa pedirem o fim da polícia, da igreja ou do carnaval?

 

Volto a repetir: não queremos de forma alguma minimizar os nossos problemas, mas queremos igualdade de tratamento para um problema que não é exclusivo nosso. Sonhamos pelo dia em que aquele que se esconde atrás de uma camisa de Organizada pague pelo seu crime sem que a Torcida sirva de escudo, pois é isso que acontece. O marginal comete o crime e simplesmente fica impune, pois as autoridades preferem punir a Instituição e não o autor. E os hipócritas compactuam com isso, espalhando ódio proveniente da ignorância, pedindo o fim das organizadas enquanto o mesmo ou outros marginais esperam o momento de cometer seu crime e nada acontecer com ele. Mas porque não pedem o fim da Polícia, da Igreja, do Carnaval?

 

Vamos finalizar aqui com os números do carnaval 2015 em Salvador, onde não vimos nenhuma mobilização da sociedade pelos números assombrosos de violência, pois  devem ter achado tudo isso muito normal. Os entendidos sobre segurança não foram às redes sociais, rádios ou TVs pedirem absolutamente nada. Mas na próxima confusão em estádio estarão por aí de plantão pedindo o fim dos “criadores da violência”.

 

Um dado que chamou atenção durante o Carnaval de Salvador foi a elevação dos casos de agressão por arma de fogo nos circuitos do Carnaval, que saiu de três no ano passado para 21, com duas mortes contra uma em 2014. Segundo a SSP (Secretaria de Segurança Pública), seis foram considerados tentativa de homicídio.

O número de prisões em flagrante registrado pela Polícia Civil nos seis dias da folia foi de 114, um aumento de 26,7% em comparação com a festa do ano passado, que teve 90 capturados. Nos quesitos conduzidos por uso de drogas e presos pela venda de entorpecentes, o número foi de 1031 encaminhados para os postos policiais, contra 434 levados para averiguação pelos mesmos tipos de crimes.

 

As brigas nos circuitos tiveram registro inferior este ano. Foram computados três casos em 2015, contra quatro no ano anterior. Já lesões leves tiveram o acréscimo de 20 casos.

alt


Voltar